sábado, 27 de novembro de 2010

Android

Apesar de ser mais conhecido por causa do mecanismo de buscas, do Gmail e do AdSense, o Google investe bastante nas mais diversas áreas, de painéis solares a novos algoritmos de inteligência artificial. Em 2005 decidiram entrar também no ramo dos smartphones, adquirindo a Android Inc., uma pequena empresa de desenvolvimento de sistemas embarcados, dando origem aos boatos de que o Google estaria trabalhando no Nexus One, primeiro aparelho a portar este sistema operacional.



O Android é, sob diversos ângulos, um concorrente direto do iPhone. Enquanto a Apple optou por manter um controle estrito sob sua plataforma, impondo restrições aos desenvolvedores e controlando a distribuição dos aplicativos, o Google optou por seguir o caminho oposto, criando um sistema aberto e incentivando a criação de aplicativos para a plataforma, inclusive com prêmios em dinheiro.

Grande parte da estratégia em torno do Android é centrada no desenvolvimento de aplicativos por parte de outras empresas e programadores independentes. O Google entendeu que, assim como nos desktops, as plataformas de smartphones estão se consolidando e o mais importante passou a ser os aplicativos e não apenas o hardware ou as funções básicas do sistema. Tendo isso em mente, faz sentido que, sendo a última empresa a entrar no mercado, o Google seja quem está investindo mais pesado nessa frente, montando uma grande equipe de desenvolvimento, investindo em contatos com fabricantes e na divulgação do sistema e incentivando a participação externa.

Enquanto a Apple tenta restringir os desenvolvedores, com medo de que aplicativos ruins possam prejudicar a imagem da plataforma, o Google adotou uma atitude liberal, disponibilizando as ferramentas e deixando que a coisa flua naturalmente. Você mesmo pode baixar o SDK no http://code.google.com/android/download.html e começar a estudar o sistema.

Entra em cena, então, o Android Market, que faz o papel de canal de distribuição, assumindo a função que no mundo Apple pertence à AppStore. Ele serve como um repositório central de softwares para a plataforma, permitindo que eles sejam instalados rapidamente.

A principal diferença é que, no Android Market, os desenvolvedores podem publicar seus aplicativos diretamente, sem precisarem primeiro passar por um processo de aprovação. Essa desburocratização do processo tende a fazer com que ele conte com um maior volume de aplicativos a longo prazo. Nada impede, também, que os desenvolvedores disponibilizem seus aplicativos diretamente, fora do Android Market, o que inclusive possibilitou a criação de mercados paralelos ao oficial.

A grande diferença aos demais sistemas operacionais é a melhor utilização do sistema multitarefas e uma película e sistema de toque idênticos aos utilizados pela Apple. Além disso, a disponibilização de aplicativos independentes e a fácil utilização do Android Market fez com que muitos usuários adotassem o sistema. A integração com todos os sitemas web da Google, como o Gmail, Youtube, Buscador, dentre outros, também é um recurso agradável. Estes aplicativos tem um bom potencial, mesmo em aparelhos mais limitados. Não é difícil imaginar as mudanças que versões atualizadas destes aplicativos, combinadas com outros recursos oferecidos pelo Android, rodando sobre aparelhos atualizados e com conexões 3G podem trazer. O Google pode ganhar algum dinheiro com os aplicativos pagos do Android Market, mas, sem dúvidas, a grande aposta é com relação à publicidade.

Por fim, o Android é, entre as plataformas atuais, a que mais tem potencial para evoluir. Ele tem a seu favor a constatação histórica de que as plataformas abertas tendem a prevalecer a longo prazo, conforme a tecnologia se populariza, pressionando os preços para baixo. Entretanto, com a abertura do Symbian anunciada pela Nokia, o Android terá um páreo duro pela frente, já que enfrentará outro sistema aberto, que já está muito bem estabelecido. Quem tende a perder espaço na briga são os aparelhos mais simples, incluindo os feature phones baseados no S40, que perderão espaço rapidamente, conforme os smartphones baseados no Symbian e no Android crescerem em vendas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário